domingo, 29 de março de 2009

REMINISCÊNCIA (À Augusta Santos)

Era sempre ao sol pôr... Milhares de boninas
E rosas em botão, cravina multicores,
Junquilhos delicados e outras muitas flores
Eu reunia feliz para as aras divididas.

E que aroma sutil; nas horas vespertinas.
A linda primavera – a quando dos amores –
Espalhava a sorrir, enquanto as pequeninas
Nuvens d’ouro, no azul, refletiam fulgores.

Como eu relembro agora aqueles belos dias!
O sino a bimbalhar... As doces litanias,
O trono envolto em luz, o incenso, a Mãe bendita...

Hoje o que se seduz? O mesmo céu é triste
E dentro de minha alma apenas subiste
Da aventura fugaz a saudade infinita.

F. Clotilde. A Estrella, Maio de 1918.

Nenhum comentário: